Valdemar Ferreira Ribeiro
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CANOA QUEBRADA

DESCOBRINDO UM PARAÍSO NO ESTADO DO CEARÁ - BRASIL

Sua bandeira é uma lua crescente com uma estrela no interior .

Localiza-se no Estado do Ceará , nordeste do Brasil , não muito longe da capital Fortaleza , com quilómetros longos de praias , dunas , coqueirais , num belo recanto do planeta .

Canoa-Quebrada é uma pequena vila de pescadores fundada à mais de trezentos anos por alguns escravos fugidos dos senhores feudais.

Ali , longe da dita civilização , misturados com os índios nativos da região , os escravos libertos encontraram seu paraíso .

O nome deste lugar nasceu depois , quando uma embarcação holandesa no século dezoito quebrou-se nos recifes existentes perto da praia e foi parar na areia , tornando-se atracção para aqueles que moravam nas redondezas e que diziam : - vamos visitar a canoa quebrada na praia . Assim nasceu o nome deste lugar .

Esta vila ainda mantém a originalidade peculiar a uma aldeia de pescadores , no Brasil , e divide-se claramente em três áreas com características próprias bem determinadas : -- centro , lado oeste e lado leste .

Na área central ou centro da vila existe uma rua principal com uns quinhentos metros de comprimento , com talvez umas trezentas casas ao redor , muitas com paredes de barro e telhados feitos com ramagem dos coqueiros .

A maioria de seus habitantes dorme em redes penduradas em ganchos nas paredes dos quartos simples , dormindo-se bem nelas depois que se aprende a deitar correctamente numa rede , na lateral .

As ruas são arborizadas com figueiras e coqueiros e com restaurantes simples e lojas de artesanato , morando ali cerca de mil indígenas , povo moreno , belo , forte e sensual , de olhos transparentes e profundos , amigos de quem se aproxima com gentileza e respeito .
Aqui nesta parte da vila , se hospedam a maior parte da população flutuante de turistas vindos de muitas regiões do Brasil e do mundo , Alemanha , França , Argentina , Itália , Portugal , etc. , gente que vem para ficar apenas alguns dias e , por vezes , acabam ficando meses e até anos e alguns moram alo definitivamente e casam-se com moradores locais .

Durante os dias solarentos , na maior parte do ano , as praias extensas com seus pescadores artesanais em jangadas pequenas à vela , atraem com sua beleza os que ali moram ou passeiam naquele belo mar com seus recifes ricos de alimento .

Nos finais de semana à noite e até durante a semana , nos “forrós” tocam as músicas do lugar e “ lambadas” , danças cheias de muito gingado e sensualidade , movimentando-se turistas e habitantes até de madrugada e gentes de todos os lugares se trocam e se tocam harmoniosamente em belos encantos .

A oeste desta vila , há extensões imensas de dunas e praias com suas areias muito brancas e límpidas , semelhantes a desertos cheios de oásis criados pelas chuvas em águas cristalinas

Em alguns desses lugares as areias são coloridas com diversos tons , existem poucas casas e a vida é bem rústica e ali moram alguns indígenas e mais alguns poucos estrangeiros alternativos atraídos por tanta beleza , vivendo à volta de alguns desses oásis de águas doces , plantam coqueiros ao redor de suas casas simples e dormem em redes .

Num destes oásis vive seu Chico Relâmpago , pescador com uns oitenta anos de idade e que ali mora sozinho e tranquilo em cuja placa à entrada de sua casa lê-se : “Casa da Paz”.

Quem ali chega em paz assim é recebido caso contrário não , divide seu coco e seu alimento com os visitantes , a água de beber vem de um poço ao lado de sua casa puxada por uma bomba manual e os ovos que come são de suas galinhas que por ali ciscam .

Em uma de suas refeições com turistas que ali chegaram curiosos , perguntou , em seu jeito simples e sábio de ser , porquê agora estão vindo tantas pessoas da cidade grande para morar em Canoa-Quebrada ?

A resposta só podia ser : -- exactamente à procura daquilo que o senhor aqui possui em abundância e se caracteriza pela paz de espirito .

Quando visitamos seu Chico Relâmpago pela segunda vez , encontramos um casal de jovens , seus sobrinhos , ela chamada de Bonnie e ele de Valdo que o visitavam também .

Valdo , filho da terra e de pescadores , de uns vinte e cinco anos de idade , e Bonnie de uns vinte e dois anos , loira , nascida ao sul do Brasil e de família economicamente rica .

Ela antes de ali chegar tinha vivido em uma aldeia original de índios , na Amazónia .

Os índios originais normalmente não permitem um contacto directo com seu modo de viver e é necessário uma aproximação muito cautelosa e com bastante tempo até permitirem esse contacto .

Na fisionomia de Bonnie , apesar de ter nascido numa cidade , notavam-se traços de uma índia loura e sentia-se em seu modus vivendi semelhanças com os índios originais .

Ele Valdo e seu irmão , pescador também , filhos de Canoa-Quebrada , donos de um pequeno bar na praia feito de troncos e ramagens de coqueiros , eram fortes e bonitos , altivos , de poucas palavras e gestos delicados e alegres , de olhares transparentes , assemelhando-se muito com seu Chico Relâmpago em seu modo simples de serem .

O irmão de Valdo vive com uma bela companheira Suíça de uns vinte e cinco anos de idade e que um dia visitou aquela vila e se apaixonou pelo lugar e pelo seu companheiro , nunca mais saiu dali .

Naquele lado da vila , lado oeste , as dunas são obras de arte em eternos e ondulados movimentos das areias esculpidas pelos ventos não muito fortes , formando piscinas naturais interessantes e transparentes convidando a mergulhos em suas águas cristalinas cor esmeralda .

O sol com sua luz resplandecente convida à meditação e ali perto , em alguns lagos com suas águas menos profundas e extensas e alguma vegetação cantam coloridos pássaros , gaivotas e outras aves , vibrando em sinfonias de orquestras naturais , encantando com seus sons quem os escuta em comunhão .

No lado leste da vila , formado também por longas extensões de praias de areias claras , encontra-se as casas que formaram a primeira aldeia de pescadores , cerca de quarenta casas , umas de barro e palha e outras já de tijolos , com pequenos cercados à volta feitos de galhos de árvores .

Dentro desses cercados planta-se milho , feijão , mandioca , melancia , etc. , e vivem pescadores que mantêm uma vida simples pescando , plantando e actualmente alugam quartos a quem ali chega como turista .

Neste lado da vila vivem o pescador Luciano e a mãe de seus dois filhos Maria , dona de casa e presidente da Associação dos Moradores de Canoa-Quebrada .

Fazem parte da família dos Esteves , fundadores desta vila e os olhares deles reflectem a pureza neles contida e preferem a vida simples da troca de gentilezas que para eles é mais importante .

E quem chega ali , é seduzido por tão bela forma de ser , sensual e prazeirosa e estes pescadores têm uma consciência profunda sobre sua forma de viver e não a querem perder mesmo sabendo que a urbanização da cidade grande vai chegar e poderá até destruir aquele estilo de vida se não houver cuidado e consciência ......

Os pescadores de Canoa-Quebrada navegam frágeis jangadas , mar adentro profundo céu encrespado ou não velas grandes enfunadas mente e olhar atento puxam ou lançam redes sentem no fundo do mar o peixe seu alimento .

Dia a dia vão pescar , cesta cheia ou vazia voltam fortes e amigos meigos em seu olhar , lá vêm ao longe remo à popa gingando em toque de comando no sol do horizonte



 
Valdemar Ribeiro
Enviado por Valdemar Ribeiro em 11/08/2010
Alterado em 14/10/2018
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