Valdemar Ferreira Ribeiro
...Navegando nos Mares do Sul ... Observando o Norte
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ANGOLA - RESPONSABILIDADE E EXCELÊNCIA
Estas duas palavras definem exatamente as diferenças intelectuais que existem entre os seres humanos.

Há outras diferenças que muitas vezes são afirmadas por muitas pessoas mas podem não ser as mais corretas.

Em termos cerebrais, os seres humanos não se podem diferenciar pois todos têm em si o mesmo potencial de inteligência, exceptuando-se alguns casos, mesmo havendo características físicas e intelectuais próprias de cada um e de cada região parametrizadas pelo ambiente aonde se inserem, ecológico, social e económico.

Segundo a Ciência e comprovado através do ADN, o actual ser humano, Homo Sapiens, teve uma origem comum, na região da África Austral pois naquele local do planeta existiam condições ambientais propícias ao desenvolvimento privilegiado da fauna e flora, tanto assim que até hoje esta região mantém suas características vegetais excepcionais e preserva espécies animais únicas e pujantes, Elefantes, Onças, Leões, Gazelas, Gnus. Zebras, Girafas, etc.

Ou seja, as condições ambientais com Savanas e suas árvores com frutos e outros alimentos naturais abundantes, rios e mares com peixes em grande quantidade para pescar, animais para caçar, etc., permitiam uma fácil sobrevivência física a esta nova raça, humana, que se desenvolveu num período de alguns milhões de anos.

Quando do aparecimento da espécie humana, através de um processo de evolução das espécies naturais do planeta Terra, segundo a teoria de Charles Darwin,  os animais não tinham ainda desenvolvido um cérebro maior nem muito complexo com capacidade para um raciocínio mais sofisticado.

Com as condições ambientais propícias e com um tempo de vida longo, foi possível à espécie humana desenvolver um pensamento mais elaborado através de um permanente aprendizado e memorização de suas experiências pois tinha desenvolvido um cérebro mais capaz, um cérebro mais complexo.

As línguas com que os seres humanos se comunicam entre si, são apenas ferramentas que espelham um raciocínio mais apurado a partir das experiências diárias e da memorização das mesmas, contruindo-se um dicionário mental ou escrito que espelham essas vivências  e que podem permitir um maior desenvolvimento social, económico e ambiental.

Mas as línguas, que devem ser ferramentas de comunicação, podem transformar-se em armas de agressão física e mental, pois estas quando não desempenham seu papel de comunicação real, quando não desempenham uma função de harmonização de ideias, geram conflitos que podem levar à destruição das sociedades humanas e constata-se isso muitas vezes, desde o inicio das sociedades humanas.

Hoje, os conflitos gerados pela falta de comunicação são mais acentuados pois envolvem não só os humanos diretamente como envolvem tecnologias desenvolvidas pelos seres humanos e bastante destruidoras.

Os seres humanos, e todos os seres vivos na Terra, não nascem sabendo ou tendo inteligência, é um processo evolutivo da vida que se desenvolve à medida em que há experiências e se criam memórias das mesmas, aprendendo-as, em todos os seres vivos que possuem um cérebro capaz.

A espécie Australopithecus, do género hominídio, que se desenvolveu nesta região de África, tendo uma sobrevivência de excelência e com um instinto de curiosidade, atreveu-se  a aventurar, a caminhar pelas regiões circundantes, indo para o sul de África, subindo para o norte, indo para a Europa, Ásia, Oceania e Américas do norte e do sul.

Esta sociedade de hominídeos com uma origem comum, reencontrou-se após milhares e milhares de anos de peregrinação, quando as Caravelas passaram a unir os continentes e o mar tornou-se uma estrada oceânica há alguns séculos e houve aqui um reencontro da humanidade consigo mesmo.

Entretanto, ao caminharem na descoberta e ocupação de novas terras e seus habitats, os povos Australopithecus foram afastando-se uns dos outros e passaram a formar grupos humanos diferenciados nos hábitos e culturas e até fisicamente pois as condições ambientais, climas, regiões geográficas e outras características regionais, obrigavam os seres humanos a desenvolverem outras e novas capacidades físicas e mentais.

Quem vivia e vive em regiões com muito sol, naturalmente tem uma pigmentação cutânea mais escura pois isso permite uma maior proteção ao sol e calor e tinham uma vida mais fácil pois a natureza lhes ofertava quase tudo do que precisava e até com fartura pois a sociedade humana inicial era muito menor do que agora.

Quem passou a viver em regiões mais frias, teve e tem uma pigmentação cutânea mais clara e mais frágil à exposição solar e precisou de desenvolver mais a sua mente, culturalmente, para conseguir sobreviver às condições ambientais mais difíceis e descobrir soluções e instrumentos e ferramentas físicas e culturais mais eficientes e eficazes.

Ou seja, as dificuldades ambientais obrigam os seres humanos a desenvolverem hábitos e costumes mais apropriados e a desenvolverem soluções tecnológicas para a sua sobrevivência nos novos locais.

Os Australopithecus que foram para regiões mais frias, os seus corpos adaptaram-se e desenvolveram mais gorduras para se protegerem do frio e essas gorduras naturalmente geraram um cabelo mais liso, diferenciando neste aspeto os povos asiáticos dos povos do sul de África, além da cor da pele.

Os atuais índios da América são descendentes de povos asiáticos e até hoje mantêm algumas caraterísticas físicas semelhantes tais como os cabelos e a aparência dos corpos.

Diante de tudo isto, pode-se afirmar que mentalmente as capacidades do cérebro de todos os humanos, machos e fêmeas, são semelhantes e com o mesmo potencial de inteligência desde que haja vontade e um esforço natural para esse desenvolvimento.

Fisicamente há diferenças entre os humanos e todos os seres vivos devido às características ambientais de cada lugar mas estas características físicas, per si, não definem uma diferença mental humana.

Os hábitos e culturas definem diferenças mentais mas não definem o potencial mental humano normal dos indivíduos quando nascem e se forem comparados os cérebros humanos, considerando as excecões pontuais, constata-se não haver diferenças significativas em seu potencial de inteligência mental.

As únicas diferenças entre os seres humanos são nos hábitos e costumes e nas características físicas adaptadas ao local aonde vivem além da opção individual para um esforço maior mental para um aprendizado através das experiências diárias.

Mas é importante questionar porquê alguns povos vivem com melhores condições sociais, ambientais e económicas do que outros.

O que realmente diferencia os seres humanos?

Os outros seres vivos animais, de uma forma geral, não desenvolveram cérebros mais sofisticados e não estão a causar desequilíbrios acentuados ao ambiente nem alteram o clima, mesmo considerando que alguns animais possuem um cérebro mais complexo do que outros e também possuem uma capacidades de aprendizado, mesmo sendo mais limitadas.

A fauna, desenvolve-se naturalmente de forma equilibrada pois é a própria natureza é quem define seu crescimento e seu desenvolvimento nos locais apropriados.

Se forem abertos dois cérebros humanos, um vivendo no sul e outro vivendo no norte do planeta, não há certamente nenhuma diferença física, além das normais, que os diferenciem e nem sequer há qualquer diferença na cor do sangue ou nos órgãos internos do corpo pois são exatamente iguais em seu funcionamento, com algumas exceções naturais.

Portanto, não se pode afirmar que há diferenças no potencial de inteligência de todos os seres humanos, excetuando as diferenças naturais geradas pelo ambiente e pela sobrevivência de cada lugar.

Então porquê alguns povos vivem melhor do que outros?

Comparando os territórios geográficos aonde esses povos vivem, pode-se considerar como exemplos a Suécia e Angola.

Em Angola, geograficamente cabem mais de dez países europeus incluindo a Alemanha.

A Dinamarca, país escandinavo, tem um clima bastante frio pois localiza-se no norte da Europa, e em termos de riquezas naturais têm poucas quando comparada com Angola.

Angola, país localizado na África Austral, de onde brotou o primeiro Homo Sapiens, o Australopithecus, é quatorze vezes maior do que Portugal e tem muitas riquezas naturais tais como o petróleo, ouro, diamantes, florestas, granitos. mármores, ferro, diversos minerais importantes, etc., tem mar, tem rios, tem  climas de excelência, tem montanhas, tem deserto, tem um povo pacífico e tem uma população com cerca de trinta milhões de pessoas ocupando um território imenso.

Porquê Angola, considerando também os mais de quarenta e cinco anos de independência, encontra muitas dificuldades de vária ordem para se desenvolver e alcançar um patamar económico, social e ambiental mais equilibrado e mais satisfatório comparativamente à Dinamarca?

Angola já ocupou um lugar de destaque económico em África.

Aonde reside a dificuldade para Angola estar mais desenvolvida, aonde se situa este imbróglio, aonde Angola emperra no seu crescimento sustentado?

Este país possui imensas riquezas naturais que a humanidade precisa muito e urgentemente, Angola tem uma população relativamente pequena, tem um povo pacífico, tem jovens, é um território vasto e belíssimo, tem todo um potencial de desenvolvimento em várias áreas.

Porquê este país imenso e belo tem dificuldades em construir uma nação mais equilibrada nos aspetos sociais, económicos, ambientais, culturais, desportivos, etc.?

Em conclusão, pode-se afirmar que o emperro no desenvolvimento de Angola reside não nas diferenças físicas ou na falta de capacidades cerebrais de seus cidadãos  mas sim no desenvolvimento de uma consciência mental interior de cada indivíduo e cada cidadão precisa de ter mais rigor nos seus atos, na responsabilidade de suas ações, precisa de ter um padrão de mais excelência nas suas atitudes.

Sem responsabilidade e sem ter o foco na excelência das ações, não é possível um maior desenvolvimento social, económico e ambiental pois este processo de construção é baixo para cima como uma casa, o telhado só pode ser construído após o alicerce e após as paredes, este desenvolvimento é de dentro para fora, no interior mental de cada individuo.

Não são leis ou castigos ou ameaças que constroem um novo cidadão mais equilibrado mas tem de ser um esforço individual.

É um desenvolvimento que brota de uma educação bem fundamentada, no estudo com mais responsabilidade e excelência, com base no rigor tendo como bases estas duas fundamentais palavras.
Valdemar Ribeiro
Enviado por Valdemar Ribeiro em 17/01/2024